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TENHO TOC: POR QUE JESUS NÃO CURA?

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----- Original Message -----
From: TENHO TOC: POR QUE JESUS NÃO CURA?
To: contato@caiofabio.com
Sent: Thursday, April 07, 2005 10:31 PM
Subject: preciso de ajuda

Oi... não sei por onde começar...

Tenho 21 anos e tenho Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Uma amiga acha que já sofri demais e que devo começar a tomar medicamento. Mas desde que aceitei Jesus foram poucas as vezes que senti a paz que excede todo o entendimento; e, por esta razão, me recuso a tomar um anti-depressivo para sentir o que Jesus já conquistou na Cruz.

Acontece que vira e mexe... eu tenho crises, e fico muito mal, depressiva, angustiada, triste, chorando ou com vontade de chorar, sem forças, pensando em me matar (graças a Deus, esses pensamentos de morte não me assolam com freqüência)..., mas vivo triste, a minha alegria é passageira...

Preciso viver o amor de Deus, mas não vivo...

Eu sei que Ele me ama, mas talvez eu não sinta este amor em sua plenitude...

Se tiver uma palavra de conforto, fé, coragem, ousadia, esperança, paz... estarei muito disposta a ler!
______________________________________________

Resposta:


Minha filha querida: Graça e Paz!


Conviver com a realidade de ter TOC já é em si algo difícil. Portanto, não piore a sua situação com nenhuma forma de fanatismo religioso que tire de você a objetividade e o senso de realidade quanto ao tratamento.

No meio evangélico durante muitos anos era pecado tomar qualquer remédio ‘para os nervos ou para a cabeça’, conforme se dizia.

Cresci vendo um monte de gente sofrendo na igreja por não se sentirem confiantes quanto a tomar remédios. E se o ‘mal’ fosse nos ‘nervos’ ou na ‘cabeça’, então, qualquer tentativa de intervenção médica, parecia estar em competição com Jesus e com o poder do Espírito Santo.

Obscurantismo e Ignorância!

O argumento é que Jesus já levou na Cruz todas as nossas enfermidades. No entanto, o ‘aplicativo’ desse beneficio, entre os evangélicos, é algo muito seletivo, e, praticamente, tem a ver apenas com doenças dos nervos ou da cabeça ou com males incuráveis ou crônicos.

Depois que veio a tal teologia da fé rehma, e com ela um monte de distorções da compreensão do significado de tudo—de Deus, de Jesus, do Evangelho, e da vida humana—, a coisa ficou muito pior ainda para os que sofrem.

Isto porque passou-se a dizer que tudo era curado pela ‘confissão positiva da fé’. E mais: ensinou-se que quem não ficava curado é porque não cria; ou, então, porque ainda tinha um pé na incredulidade; ou seja: ainda usava remédios.

Assim, pela via dessa ignorância fanática e sem base no espírito do Evangelho, e em total fuga ao bom-senso, muita gente ficou cada vez pior não só da doença que demandava medicação, como também muitos ficaram desapontados com Deus, posto que ‘creram’, mas, de fato, não ficaram curados.

No meio disso aparecem os pastores e as profetizas, declarando curas, determinando a saúde, e estimulando as pessoas a não se medicarem, pois, ‘Jesus cura’.

Todavia, em geral, todas esses que assim ensinam, não tratam a si mesmos desse modo. Ao contrário, para eles, seus filhos e cônjuges..., os médicos existem; e, ao menor sinal de problemas físicos ou mentais, eles correm para o médico.

Há muita mistificação acerca dos problemas de natureza de disfunção neurológica ou mental. Isto porque as pessoas parecem não entender que o cérebro existe assim como o dedão do pé, o sangue, o fígado, o baço, o coração e os intestinos.

Você já viu alguém na sua igreja dizer que Jesus levou todas as nossas caries na Cruz? Ou que Ele curou todas as nossas miopias? Ou que Ele acabou com nossas diarréias e gripes, todas na Cruz?

Por que será que Jesus não cura dente cariado, e, por isso, seu pastor vai ao dentista, mas é obrigado a curar o seu TOC, sem cuja cura você seria uma crente que não experimenta a Deus para você mesma?

Por que você acha que a ‘implicância’ é apenas com as doenças ‘dos nervos e da cabeça’?

Ora, é que no simplismo evangélico e religioso, os pastores e guias de cegos ensinam que tudo o que concerne à cabeça e aos nervos, concerne a Deus; quanto ao mais, a gente entrega aos médicos. Isto no que se refere a problemas que os ‘crentes’ tenham...; pois, se isso acontecer com um pastor, ele, mais que rápido, procurará um médico, e não aceitará se você, como ‘crente’, for e disser a ele o que ele diz a você; ou seja: “Pastor, não tome nada. Pare os remédios. Jesus já levou seu TOC na Cruz!”

A paz que excede a todo entendimento não é uma sensação, mas um entendimento. Ou seja: não é ausência de convulsão orgânica ou psíquica. Mas sim um entendimento em fé, o qual nos permite ter paz para lidar até com a falta de paz.

Muitas das angustias dos crentes acontecem porque eles ficam angustiados por alguma razão de natureza circunstancial, psicológica ou orgânica, e, logo imaginam que se se sentem mal, deve ser porque as ‘promessas falharam’; e Deus os deixou.

Desse modo, a angustia aumenta, pois, além do que lhe é a causa real, ainda se acrescenta a ela a culpa da falta de fé ou de comunhão com Deus, razão pela qual, supostamente, se estaria sofrendo daquele mal ou desconforto.

O Dilema religioso é básico demais. Pode ser bem expresso pelo livro de Camus, a Peste; no qual o dilema era: ou se combate a peste bubônica com a ciência, e, assim, interfere-se na natureza, indo-se, portanto, contra Deus; ou, combate-se a peste declarando guerra a Deus, pois, alguém interveio na ordem natural das coisas.

Evangélico é assim: ou calça de veludo ou bunda de fora!

O que você tem não é diferente do que qualquer outra pessoa tem, no caso de ter algum problema físico. Isto porque o seu cérebro e nervos são físicos. E, como tais, precisam do mesmo tipo de ajuda que um diabético precisa quanto a equilibrar suas taxas de insulina no sangue.

Minha filha, o amor de Deus por nós nada tem a ver com esse fanatismo auto-destrutivo que lhe estão ensinando ‘em nome de Deus’.

Não entre nessa!

Faça seu tratamento com todo carinho, gratidão e disciplina. Tome todos os remédios. Cumpra todas as prescrições relacionadas a como se deve proceder quando se tem TOC. E não deixe que ninguém faça qualquer interferência nisso.

Deus é Deus! Se Ele quiser curar você, saiba: Ele cura—com remédio, sem remédio, ou até apesar dos remédios.

Deus não tem ciúmes de nada que Ele criou. Por isso, Deus ama a cura, todas formas de cura, e por todos os meios legítimos de sua realização.

Deus não compete com os médicos, embora alguns médicos idiotados pensem que devam competir com Ele.

Quem compete com a ciência é a religião obscurantista, e fundada no ciúme dos bruxos contra os médicos.

Portanto, tome seus remédios e faça todo o seu tratamento!

Na Cruz Jesus conquistou para nós o direito de toda liberdade para buscar o bem, todo bem, e de onde ele possa vir.

Na Cruz Jesus nos deixou livre para saber que todas as coisas nos são licitas, cabendo a nós discernir o que nos convém e edifica.

Espero que minha palavra ajude você!

Aqui no site há vários textos, em Cartas, sobre esse tema. Mas como percebi que você não anda muito por aqui—no www.caiofabio.com; decidi escrever alguma coisa em consideração a você. No entanto, saiba: se você andasse aqui pelo site, e lesse tudo, tal conflito já não existiria em você faz tempo; do mesmo modo como não é mais um problema para os aqui freqüentam, nesse espaço virtual.

Seguem algumas instruções de natureza técnica acerca do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Leia e faça conforme a prescrição. E saiba: tal estado pode ficar sob total controle, especialmente se você se ajudar, entendendo o fenômeno, e se comportando de modo lúcido em relação à limitação que ele impõe.

Receba meu beijo e carinho. E se cuide, tá bom?


Nele, que nos fez livres para usar em nosso favor tudo o que Ele criou e permitiu que fosse descoberto para o bem,




Caio

____________________________________________

Seguem os textos. Leia-os.



Até bem pouco tempo não se dispunha de um tratamento efetivo para o Transtorno Obsessivo Compulsivo. Felizmente, hoje em dia, foram desenvolvidos tratamentos que conseguem melhorar a vida de mais de 80% dos pacientes e, em muitas situações, eliminar os sintomas por completo. No entanto, alguns dos portadores, infelizmente não melhoram, ou melhoram muito pouco.

Os tratamentos mais modernos consistem de uma associação entre duas modalidades: medicamentos (antidepressivos que inibem a recaptação da serotonina aumentando sua disponibilidade no cérebro) e terapia cognitivo-comportamental (TCC), razão pela qual em todo mundo muito se pesquisa ainda para conhecer melhor a etiologia do TOC e desenvolver métodos mais eficazes de tratamento.


O tratamento farmacológico do TOC

Descobriu-se que alguns dos medicamentos utilizados como antidepressivos também possuíam também uma ação anti-obsessiva. São os seguintes: Clomipramina (Anafranil) , Paroxetina (Aropax, Pondera), Fluvoxamina (Luvox), Fluoxetina (Prozac, Deprax, Eufor, Daforim, Verotina, etc.), Sertralina (Zoloft, Tolrest), Citalopram (Cipramil).

As doses , em geral, são mais elevadas do que as utilizadas na depressão. Não se assuste se o médico lhe recomendar doses aparentemente muito altas.

A resposta em geral não é imediata podendo demorar até 12 semanas para iniciar, razão pela qual o medicamento não deve ser interrompido se não sentir nenhum benefício depois das primeiras semanas de uso. O médico, em geral, procura usar inicialmente uma dose média e, caso não haja nenhuma resposta em 4 a 8 semanas ou uma resposta parcial em 5 a 9 semanas, poderá elevar as doses para os seus níveis máximos, pois alguns pacientes só respondem com níveis bastante elevadas. É importante salientar que 20 % dos que não respondem a uma droga poderão responder a uma segunda. Por este motivo é possível que o médico queira experimentar uma segunda droga depois de algum tempo. Também é comum a associação com outras drogas quando a resposta não é satisfatória.

O desaparecimento dos sintomas em geral é gradual, podendo ser progressivo ao longo de vários meses e não rapidamente como ocorre em outras doenças como a depressão ou o pânico. A melhora tende ainda a ser incompleta, isto é, não há em geral uma eliminação total dos sintomas embora 40 a 60% dos pacientes obtenham uma redução significativa na sua quantidade e intensidade.

É alto o índice de recaídas se houver interrupção da medicação, quando ela está sendo utilizada isoladamente. Uma pesquisa mostrou que em até 90% dos pacientes ocorre um retorno dos sintomas 4 meses após a descontinuação do medicamento.
Aparentemente, esta recaída é maior do que a que ocorre com pacientes que realizaram terapia cognitivo-comportamental, razão pela qual sempre é recomendável utilizar os dois tratamentos ao mesmo tempo. Mesmo durante o uso do medicamento, embora seja mais raro, podem ocorrer recaídas ou piora dos sintomas. Por estes motivos em geral se utiliza a medicação por longo tempo. Aqueles pacientes que têm um transtorno crônico e que apresentaram uma boa resposta usando apenas medicação, os especialistas recomendam manter o tratamento pelo menos durante um ano depois do desaparecimento dos sintomas.
Caso tenham realizado também terapia cognitivo-comportamental devem manter, pelo menos, por mais 6 meses. Depois deste período fazer uma retirada gradual, retirando 25% da droga a cada dois meses.
Em pacientes que tiveram 3 ou 4 recaídas leves ou moderadas ou 2 a 4 recaídas severas recomendam considerar a possibilidade de manter a medicação por períodos maiores ou talvez por toda a vida.

É bom lembrar que estes medicamentos não provocam dependência (não viciam), embora possa a haver algum desconforto se eles forem suspensos abruptamente (síndrome de retirada). Não há problemas maiores em se utilizar por longos períodos. É importante comunicar ao médico todos os demais medicamentos que, eventualmente, estiver utilizando, pois podem ocorrer algumas interações importantes.

Muitos pacientes abandonam a medicação por causa dos efeitos colaterais. É importante lembrar que, embora incômodos, eles são mais intensos nas primeiras semanas de uso e que, em geral, diminuem depois.

Os mais comuns da clomipramina são: constipação intestinal, tonturas, "queda de pressão", boca seca, visão borrada, sonolência, retardo na ejaculação. São mais raros tremores das mãos e sudorese noturna.

Os mais comuns da fluoxetina, sertralina, paroxetina, fluvoxamina e citalopram são: inquietude, náuseas, dor abdominal, diarréia, insônia, dor de cabeça, disfunção sexual, tremores e, eventualmente, sonolência.


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