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From: Gustavo Flavio
Sent: terça-feira, 7 de setembro de 2004 01:59
To: contato@caiofabio.com
Subject: "Me perdi na busca pelo sagrado" (O Caminho da Graça)
Olá Pr. Caio,
Meu nome é Gustavo Flávio, tenho 22 anos, sou natural de Goiânia, mas atualmente moro em Brasília.Venho acompanhando e sendo abençoado por seu ministério desde a Vinde TV (foi quando o vi pregar pela primeira vez). Fiquei muito feliz ao saber de sua vinda aqui para Brasília, quando finalmente pude conhecê-lo de perto (aquela figura que tanto me influenciou para o bem). E mais ainda fiquei, pois agora - juntamente com os demais irmãos que ali se ajuntam todos os domingos no Caminho da Graça - podemos finalmente, depois de anos, experimentar o Amor e a Graça de nosso Deus em sua plenitude. Assim como nos tempos de Atos dos apóstolos, onde não existia barganha, nem mecanismos de manipulação existente hoje nas "igrejas", que tanto mal faz para as pessoas, e que muito tem ofuscado Deus na vida de outros tantos.
Desde pequeno sempre busquei uma resposta para minha "sede de Deus", antes mesmo de me tornar "cristão" (fato que aconteceu ainda cedo na minha vida, com nove anos de idade, numa igreja presbiteriana onde pela primeira vez tive contato com a palavra de Deus, a saber, a Bíblia.). Vindo de uma família de tradições espírita, me deparei com fatos "sobrenaturais", que não me deixavam duvidas da existência de um "inexplicável". Resultado: virei crente.
Vivi minha adolescência e parte da juventude na igreja, onde tive experiências maravilhosas com Deus, graças não a uma vida de igreja, mas a uma entrega verdadeira e apaixonada por Ele (que me salvou da tirania e da soberba de homens e suas instituições, que nada mais são do que deturpadores da Graça de Deus). E foi graças a um desses pastores da "ordem do rei Saul" (Refiro-me àqueles que mesmo não conhecendo, insistem em apresentar uma "verdade" que nada mais é que fruto de suas mentes doentias e sedentas por poder), que aos 18 anos de idade, finalmente criei coragem e me livrei deste sistema doentio (claro sem antes ter quebrado muito a cara, e ter tentado diversos caminhos, e doutrinas diferentes e ter me submetido a tantos abusos em nome da fé), que quase custou a minha alma, e que me fez abrir mão de tantas coisas boas, e por tanto tempo.
Semanas atrás me deparei com um vazio existencial e um sentimento de perda e incapacidade muito grande. Tentando me sentir melhor, fui caminhar e refletir sobre a minha vida, e cheguei a conclusão de que apesar de ter vivido uma vida "tão certinha", tinha cometido um terrível erro; o medo de errar. Mesmo tendo somente 22 anos, chorei minha própria morte aquele dia. Sabia que não podia estar morto, pois afinal estava de pé e andando, mas senti-me como que em um coma existencial, sobrevivendo, mas sem vida alguma.
Dia seguinte me aconteceu algo muito interessante quando eu ai para O Caminho da Graça - como já citei a cima, faz pouco tempo que moro em Brasília, logo não sei "todos os caminhos que me levam a Deus" (risos).
Conclusão, me perdi!
Andei durante uma hora e meia. E durante essa caminhada sem achar o caminho certo, passei por muitas ruas escuras e vazias, um barzinho badalado na beira do Parque-da-Cidade, uns sem tetos acampados na beira de uma rua deserta, teve uma hora que peguei uma rua reta, e fui parar um mosteiro, então voltei para traz... E quando enfim já exausto e não mais querendo achar o auditório do De Salle, e sim um ponto e ônibus onde eu pudesse voltar para casa, foi quando que sem querer, finalmente, achei O Caminho da Graça.
Foi um alivio só!
Cheguei a tempo de ouvir o finzinho da palavra que dizia: "Eu sou a Ressurreição e a Vida, quem crê em mim, ainda que morra viverá". Aquela palavra que para mim não era novidade causou um impacto de proporções gigantescas no meu interior, que não conseguiria de maneira nenhuma descrevê-la através deste e-mail. Enquanto o ouvia pregar, vi toda a minha vida até ali se resumir naquela caminhada de quase uma hora e meia, no qual estive perdido procurando O Caminho. E tudo se resumiu numa única frase que descreveria da seguinte maneira: "Me perdi na busca pelo sagrado". Um paradoxo, já que para muitos, sinônimo de "pessoas perdidas" são aquelas que estão "no mundo", e o meu caso era justamente o oposto: cresci na igreja e foi justamente lá que me perdi. Quase perdi a minha identidade, e quase perdi a minha alma. Mas graças eu dou, pois mesmo sentindo sepultada a minha existência, Aquele que disse "Lazaro vem para fora", me fez ter fôlego de vida novamente!
Gostaria de terminar com aquela musica dos Titãs (Epitáfio), que foi a musica que cantei naquele terrível "sábado de aleluia". Hoje tenho a certeza de que Deus é Aquele que escreve em nossos epitáfios "AINDA QUE MORRA VIVERÁ", e nos trás a vida novamente, para podermos "amar mais, complicar menos, errar mais, trabalhar menos..." para assim podermos finalmente "descansar no Senhor".
Um grande abraço querido pastor!
Daquele que está confiante não no acaso, mas no Deus que é O Caminho,
Gustavo Flávio
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Epitáfio (Titãs) Composição: João Ubaldo Viera
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído 2 X
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger Enquanto eu andar distraído 2 X
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos...
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Resposta:
Meu querido Gustavo: Graça e Paz só Nele, que é o Caminho!
O profeta Isaías profetizou acerca de Jesus, e disse que quando Ele viesse, ali haveria “bom caminho, Caminho Santo...”, e que nessa vereda “nem o louco erraria o caminho”.
No Caminho a gente erra, mas não erra o Caminho!
O que lhe aconteceu no sábado, à procura do “Caminho da Graça”, é uma maravilhosa parábola do Caminho.
No Caminho ninguém se atrasa, pois todos chegam na hora certa, mesmo quando se sentem atrasados. Sim, todos chegam na hora de ouvir o que precisam e de ver o que necessitam.
No Caminho não há desviados, pois todos estão na via, e nela foram feitos viáveis, em Cristo.
Somente no Caminho a vida é viável, mesmo quando parece não haver via. Sim, no Caminho eu não preciso saber os caminhos, mas tão somente ser e estar.
No Caminho a gente descobre que ninguém está perdido, mas apenas se sentindo perdido. Ou haverá meios de alguém se perder de Deus?
No Caminho, na pior das hipóteses, o perdido é o achado que ainda não ficou sabendo disso; ele é o reconciliado que apenas ainda não soube que a guerra acabou; ele é o aflito que não foi informado que sua aflição é por uma paz que já está feita e consumada.
Para o Pai do Filho Pródigo não há filho perdido para sempre, mas apenas “fora de si”, e que haverá de “cair em si”, e voltar para o lugar de onde nunca saiu, nem quando cuidava dos porcos na terra distante.
No Caminho estar perdido é não estar gozando a felicidade e a liberdade da casa do Pai.
A festa está posta. E esse seu irmão não está do lado de fora, zangado, ao contrário, está do lado de dentro, e dançando a mesma música de alegria e reconciliação.
A Graça estará sempre sobre você, mesmo quando você não estiver distraído. O Acaso ainda tem um “enquanto”, a Graça inclui todo “enquanto”.
Receba meu beijão!
No veremos no domingo que vem, se Ele permitir.
Nele, em Quem temos nosso único Pastor,
Caio