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DITADURA NO BRASIL EM PAUTA: REPATRIAÇÃO

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A MÚSICA DOS TORTURADOS
Atualização: 18/06/2011

Ouça o música que, durante a ditadura, foi o hino solene dos aviltados pela repressão. Vale ressaltar que no dia da Repatriação, enquando o sr Anivaldo, dava o seu depoimento, em lágrimas, o público cantou esta música. Uma emoção muito forte invadiu o auditório da Procuradoria.
 



A DITADURA NO BRASIL EM PAUTA: REPATRIAÇÃO
Por Moisés Lourenço
15/06/2011

Ontem, dia 14/06/2011, tive a honra de participar da cerimônia do Ato Público de Repatriação do Acervo do “Brasil: Nunca Mais” e o início do projeto “Brasil: Nunca Mais – Digital” e conhecer alguns dos heróis de nosso país.
O evento realizado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, órgão vinculado à Casa Civil, pelo Ministério Público Federal e o pelo Armazém Memória, se deu no auditório da Procuradoria Regional da República.
O evento reuniu o secretário-chefe da Casa Civil do governo de São Paulo, Sidney Beraldo; Aurélio Virgílio Veiga Rios, subprocurador-geral da República; Carlos Alves Moura, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz; Manoel João Francisco, presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs; Julio Murray, presidente do Conselho de Latino Americano de Igrejas; procurador regional da República em São Paulo, Marlon Weichert; ex-ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi e Walter Altmann, moderador do Conselho Mundial de Igrejas.
O momento áureo da cerimônia aconteceu quando Anivaldo Padilha e Eliana Rolemberg relataram a tortura que sofreram na ditadura militar, onde os direitos humanos foram violados e violentados sem precedentes. As lágrimas e anseios penitentes tomaram conta do auditório e da mesa diretora, no decorrer do depoimento. Procuradores, juízes, parlamentares, líderes da OAB de outras instituições não continham as lágrimas e a indignação – uma espécie de agonia coletiva.
Na década de 80, advogados começaram a estocar documentos do Superior Tribunal Militar (STM), onde constavam todos os processos dos presos que eram tirados de suas casas, torturados e mortos durante o período da repressão.
Jovens eram contratados para xerocar esses documentos e depois eram enviados ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI), no EUA e ao "Center for Research Libraries" (CRL), na Suíça. Jaime Wright, reverendo da Igreja Presbiteriana e o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, entre outros, foram os responsáveis pelo envio clandestino.
Ouça o trecho que gravei, onde Vannuchi detalha a operação:
Repatriação by Moisés Lourenco
Ontem, representantes das duas instituições, que foram responsáveis pela receptação dos milhares de arquivos, passaram a mão do Procurador da República, todo o material e que por sua vez, será divulgado no site do acervo.
Vale ressaltar que os emocionantes depoimentos de Anivaldo Padilha e Eliana Rolemberg, também estarão disponíveis no site (farei questão de postar aqui).
As transições que fazem parte da história de uma sociedade são sempre marcadas por uma sangrenta luta. A escravidão, ditadura e outros momentos de nossa história, indicam que isolados períodos, podem causar um efeito que ecoam durante décadas e que geralmente, abrem caminhos para que uma próxima geração goze o preço pago com sangue, torturas, esquartejamentos, exílios, traumas e suicídios.
Bem-aventurado a nação que não se esquece de seus heróis e que para nosso privilégio, muitos deles estão vivos.
É preciso preservar a memória do Brasil e fazer justiça (este será o próximo passo após a publicação dos arquivos) a fim de que as mesmas insurreições cerceadoras da dignidade humana não se erijam novamente.
O que vi e ouvi,
Não me deixará ser o mesmo,
O que vi e ouvi,
Fez-me conhecer os gigantes pela própria natureza.
Vejam as fotos:

 

 



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