

INQUIETOS
Em dois mil e onze, nosso admirado diretor, Gus Van Sant lançou o filme “Inquietos”. Enoch, o garoto “depressão ambulante”, perambula e arrasta sua vidinha, limitada nas aventuras de um mundo surreal, com seu amigo imaginário, Ryo. Enoch conhece Annabel, que estabelece uma forte relação com a morte por causa de sua doença.
O relacionamento que envolve os três personagens confronta todo o clichê e nulidade da vida comum. A vida deixa de ser um longo espaço de tempo onde se vive como uma locomotiva desenfreada em direção ao banal, para ser algo com iminência de sua expiração, porém com o gosto mais refinado e mais azedo sendo vivido a cada instante. Uma não-corrida na curta vida.
O filme, que nivela a dor e o sofrimento ao amor e a esperança, faz com que os personagens se salvem de si mesmos; do mundo não-ideal e real. O mundo inteiro, com todas as suas expectativas e ditados, se reduzem ali, naquele canto de instantes. Cenário perfeito para quem descobre, dentro de suas doenças e traumas, a cura e o sentido insólito que a vida pode ter.
Moisés Lourenço
“Meu único arrependimento na vida é nunca ter lhe dito como me sinto. Queria estar em casa. Queria estar segurando sua mão. Queria estar lhe dizendo que eu amei você, e apenas você, desde criança. Mas não estou. Agora entendo que a morte é fácil; o amor é que é difícil. Quando meu avião mergulhar, não verei o rosto dos inimigos. Ao invés disso, verei seus olhos, como que rochas negras congeladas com a água da chuva. Dizem que precisamos gritar "banzai" ao atingir nosso alvo. Ao invés disso, sussurrarei o seu nome. E na morte, como na vida, continuarei seu para sempre.”
Trecho do filme