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A CRIAÇÃO DO TEMPO


A CRIAÇÃO DO TEMPO

 

Hoje é dia primeiro de julho de 2003.

São três e vinte da madrugada e eu estava sem sono, vendo o Discovery Channel.

Todo mundo que convive comigo—incluindo os amigos do Café—sabem que o Discovery e o National Geographic são os meus favoritos.

Quando estou trabalhando no laptop no quarto, mantenho a televisão ligada alternando entre os dois canais.

Como não posso morar na natureza, tento manter-me distantemente próximo dela.

Amo a Terra.

Extasio-me com toda a criação.

Hoje fiquei sabendo que uma barata pode sobreviver até uma semana sem a cabeça. Ou seja: a barata é a cabeça. Que coisa mais estranha.

Fiquei sabendo que os escorpiões estão por aqui há mais de 400 milhões de anos, e sem alterações significativas.

Os cristãos fundamentalistas, a essa altura, já devem estar de cabelo em pé, dizendo: “Agora o Caio é evolucionista”.

Acho muita graça...

A questão é que o que “eles”—o Discovery e o National— estão dizendo é que a Terra tem idade.

Deus tirou do nada o que existe!—assim começa literalmente o livro de Gênesis.

Conforme a narrativa original, essa criação sofreu uma catastrófe e ficou vazia e sem forma.

Então Deus falou... e todas formas de luzes necessárias à vida passaram a ser e existir.

E Ele prosseguiu...criando e criando...em dias que começavam às tardes, e terminavam em manhãs...até ao sétimo dia, quando Ele, como Criador, descansou de tudo o que fizera e...de certa forma...entregou a criação ao processo natural.

O homem aparece no final de um processo...mas aparece de súbito.

Literalmente, fica de pé!

O que ficou para trás tem idade.

Porém, não tem “tempo”.

Tempo não é uma medida.

Tempo é uma consciência.

A Terra é antiga.

O mundo, porém, é novo.

A Terra tem idade e a natureza existe como documento dessa idade.

Mas o mundo é feito de tempo.

O mundo passa... e a sua concupiscência...

Nenhum dinossauro ficou sabendo que os dinossauros existiram e nem que acabaram...nem mesmo os crocodilos e as aves ficaram sabendo.

E as baratas não sabem até hoje que são indestrutíveis no caso de uma guerra nuclear e nem tampouco que podem sobreviver até uma semana separadas da própria cabeça.

Os crocodilos tem idade.

O tubarão é antiqüíssimo.

Os escorpiões... bem, não há designação para a quase imutável idade de sua existência terrestre.

Essas coisas são datáveis.

Sabemos quantos sois e luas lhes serviram de dias e noites. Mas ainda assim... não estamos falando de tempo.

Einstein ajuda a entender o tempo físico, e a física quântica o não-tempo.

Mas ainda assim não são formulas para designar o único tempo que os humanos conhecem como experiência.

As idades são medidas em tempo, mas não são feitas de tempo.

O tempo como experiência é o resultado do movimento da consciência de si mesmo.

O Espírito de movia sobre as águas.

As águas se moviam e não sabiam que eram águas e nem tampouco que existiam como movimento.

É por isto que a Bíblia é tão pouco preocupada com datações em todo o seu início.

Fala-se da existência, não do tempo histórico linear e cronológico das coisas.

O tempo passou a começar a ser quando os olhos de Adão se abriram.

Criou Deus o homem...

Criou-o à Sua própria imagem e semelhança... sendo que Deus não é imagem, e, portanto, não oferece semelhança...pois Deus contém o tempo, mas não se orienta por ele...o tempo e o espaço não lhe são semelhantes...lhe são derivados.

O tempo é Nele.

Ele não é no tempo.

O homem, todavia, é um deus no tamanho do tempo.

Ele carrega a semelhança invisível com a semelhança de Deus...e expressa de modo visível a total impossibilidade de exprimir a semelhança de Deus.

Mas o tempo só passa a existir quando a consciência fica sabendo de si...pelo menos um pouco.

Tudo o que houve antes foi Terra.

Tudo que vem depois...é mundo.

O mundo é feito de tempo e o tempo é feito de mundo.

Por isso o mundo passa com o tempo e o tempo passa com o mundo.

Esta, no entanto, é uma percepção de um observador, humano, caído.

Meu nome é Caio.

Vejo de um dado-lugar-caído.

Adão, entretanto, a primeira vez que abriu os olhos não viu o mundo. Ele começou vendo a Terra, vendo a si mesmo, sendo em Deus e iniciante no processo de ânsia por alguma coisa infinitamente de seu tamanho, que virou mulher.

Aquele, todavia, ainda era o Gênesis dos céus e da terra.

O mundo só começa no capítulo três de Gênesis.

Antes daquele dia havia idade e uma quase consciência de tempo, pois, ainda era também uma quase plena consciência de si...

Afinal, nenhuma consciência será plenamente consciente de si... se antes não descobrir que de fato não é.

O tempo é o resultado do movimento da consciência de si mesmo... e que acontece como nostalgia do tempo em que só havia idade e com a angustia de que agora só existe tempo.

É disso que é feito o mundo.

E esse tempo...é o tempo de nossa própria consciência...Digo: até mesmo dessa história caída, pois, o que houve antes da Queda, aconteceu...mas não pode ser chamado ainda de História.

A História é um subproduto do movimento da consciência de si... e que fez o tempo existir como experiência...e que fez a experiência se chamar História.

Isto é História...o resto são apenas histórias e interpretações do tempo...e que de tempos em tempos...também mudam a sua própria versão...conforme o tempo e o mundo.

Afinal, o mundo passa, e bem assim a sua concupiscência; aquele porém que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.

Em Cristo, porém, já se passou do tempo da idade e da idade do tempo...pois já se passou da morte para vida.



Bom Dia chamado Hoje!



Caio Fábio



4:10 da matina.
E em meu tempo o dia começa de manhã bem cedinho.