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MINHA GRATIDÃO POR ALGUNS AMIGOS DE SEMPRE...

 

MINHA GRATIDÃO POR ALGUNS AMIGOS DE SEMPRE...

 

 

Sou muito grato a Deus pelas pessoas que mais me influenciaram na fé e na percepção dos que seria andar com Deus.

Nunca esquecerei da face molhada de lágrimas do Reverendo Antônio Elias, quando eu era ainda um menino, e, após eu ter orado com grande unção e verdade adolescente, ele, já beirando os 60 e poucos anos [veio a falecer em 2007, com 96 anos], me disse: “Ele é o Sublime. Nada é como encontrar o Sublime. Não esqueça: É o Sublime!”

Nunca esqueci. E hoje, como esquecerei, se eu também provei e provo o Sublime?

De meu pai me vêm milhões de influencias, de tal modo que não devo nem mesmo incluí-lo aqui, mas, dentre tantas, a que mais me marcou os anos, foi a sua declaração, um dia, após me ouvir pregar numa das primeiras vezes, quando, após a reunião, dentro do carro, depois que todos deixaram o veículo, ele me disse, antes pegando com sua mão forte e grossa o meu braço esquerdo [ele estava dirigindo o carro]:

“Deus usou você como eu nunca vi nada igual. Mas lembre: Eu sou pai. Me diga: Eu sou o seu pai?” Confirmei que sim. Ele prosseguiu: “Então, lembre: se eu sou seu pai... você é um verme! Entendeu? No dia que você não mais se vir como um verme, então, saiba meu filho: Eu não sou o seu pai...; pois, Caio Fábio, seu pai, se sou eu, é apenas um verme...; logo, se você é meu filho, quem é você, se não um verme?”

Sadu Sundar Singh, o místico cristão indiano e que andava como um Sadu, um santo homem hindu, até que aos 33 anos de idade desapareceu nas montanhas do Himalaia, havia se tornado também uma das maiores influencias de meu sentir como discípulo. Nas meditações, nas orações, nos jejuns e nos muitos trabalhos livres.

Então conheci o Reverendo Samuel Doctorian. Armênio, crescido em Jerusalém, morador do Líbano à época, onde tinha uma Missão, um Orfanato, e de onde saía para viajar o mundo todo, pregando a Palavra com simplicidade apaixonada.

Amei-o. Eu tinha apenas 18 anos.

Ele ía à Manaus em razão de um Instituto Bíblico que ele, uma senhora holandesa, meu pai e o pastor Israel Guerra queriam abri no meio da Floresta, a fim de treinar lá mesmo os novos evangelizadores da Amazônia.

Um dia, depois do almoço, que quase sempre era lá em casa, ele e eu continuamos a nossa conversa... Papai mediava. Eu não falava nada de inglês. Foi quando eu disse a ele que não iria ao Seminário, pois, eu via o pessoal que ia e voltava, e todos me pereciam não apenas não justificar nada do tempo que haviam passado por lá, como também não me faziam crer que haviam voltado melhores em nada... Ao contrário: pareciam voltar piores e sofrendo de profunda descrença e mediocridade... Ele então me disse que se eu não desejasse ir, que não fosse, mas que não deixasse jamais de me instruir, de um modo até mais ávido, e, se possível, muito mais diverso; e me aconselhou a ler filosofia e psicologia, além de muita história, pois, dizia ele: “Meu filho, saber é também uma forma de poder! Mas não esqueça que o importante é a unção. Mas unção com saber fica mais persuasiva. Veja Paulo!...” — e prosseguiu me falando do tema, gerando em mim grande desejo de nunca me formar, mas, ao contrario, manter-me perpetuamente em formação, também pela via do saber.

O Reverendo David Glass eu conheci menino na Igreja Presbiteriana Betania, quando meu pai veio a converter-se. Logo papai e ele ficaram grandes amigos; e nossas famílias se irmanaram até o dia de hoje. David Glass era um homem fino, inglês/brasileiro, filho e neto de missionários, mas aberto de alma, sensível, cheio de arte no ser, e dotado de muito bom gosto em tudo. Ele amava C.S. Lewis e me ensinou a gostar dele desde muito cedo.

“Caio, quando eu li ‘Perelandra”, saí pela rua e me senti ou alienígena... Olhava em volta e dizia: Realmente eu não sou deste mundo!... E foi com o Lewis que aprendi a viajar assim... Você precisa ler o Lewis!”

Morreu também aos 96 anos, como seu amigo Antônio Elias, uns poucos anos antes de papai e Antônio Elias partissem também ao seu encontro.

Israel Guerra, quando numa dada manhã eu fui visitá-lo, no bairro de São Francisco, em Manaus, onde reside até hoje, e, inflamado pelos dados “científicos da explosão demográfica”, cheguei afirmando que Jesus estava voltando também por causa da explosão demográfica. Ele riu e quase que me mandou enfiar a explosão demográfica em um bum lugar, e, depois, me disse: “O Senhor não depende nada e nem de ninguém para voltar. Ele volta agora! Basta Ele querer!...”

Nunca mais esqueci o sentido daquela lição.

Manfred Grellart já veio no início dos anos 80. Era pastor no Recife, na Capunga, e tornamo-nos amigos; assim..., tipo amor à primeira vista. O que mais me impressionou no Manfred, além da misericórdia, foi sua generosidade e apreciação pela Graça de Deus onde quer que ele a visse. Manfred tornou-se para mim um dos amigos mais leais e verdadeiros. Mas foi ele quem me disse, após o Congresso Brasileiro de Evangelização, já na segunda-feira, atravessando a rua na direção do escritório dele na Visão Mundial: “Caio, você tem apenas 28 anos e já é reconhecido como o maior líder desse nosso meio. É tudo muito precoce. Temo por você. O que posso oferecer é sinceridade. Se você ficar besta eu vou falar isto olhando pra você. Para mim você é um presente de Deus para a igreja no Brasil. Mas, meu irmãozinho, não sei se isto é um presente para você. Pra você é um peso.” E fez tudo o que pôde para ser e fazer exatamente como me dissera; e é assim que somos amigos até hoje. Foi por causa dele que tive a chance de morar a primeira vez nos Estados Unidos, na vizinhança dele, a fim de aprender inglês; outra insistência da amizade dele.

Lacio Pontes eu conheci mesmo no período em que morava na vizinhança do Manfred na Califórnia. Lacio também morava lá, com sua querida esposa, Bárbara; ela americana e filha do Walter Smith, Vice-Presidente da Associação Billy Graham.

Lacio foi fundamental para mim, especialmente na desmistificação dos ministérios evangélicos considerados “sérios” na evangelização na América do Norte. Além disso, ele me edificou imensamente com sua amizade sincera; sempre franca e sincera.

No mesmo período conheci Antonio Carlos Barros. Ele me ajudou muito a voltar a fazer coisas bem simples; comuns antes na minha vida, mas, agora, depois já de tanto coisa, haviam se tornado distantes de mim; coisas como carregar peso, pegar comida e levar para as missões, mexer com as mãos para fazer as coisas acontecerem... E como foi boa e alegre a amizade dele naqueles dias...

Eu e Leighton Ford já éramos amigos. Mas aquele período de dois anos na América, com o que veio depois, nos fez seriamente irmanados em amor e amizade, como somos até hoje. Leighton não apenas me ajudou muito, como também me foi um oásis de abertura de alma em um mundo “cristão” pedrado...

No plano dos autores, depois do período do Franscis Scheaffer e do C.S. Lewis, foi o Kierkegaard quem mais me influenciou, já aí na virada dos anos 70 para os 80. A seguir veio Jaques Elull.

A década de 90 foi estéril de amizades...

Quem já era, era. Quem não era..., não se tornou, apesar do convívio...

No entanto, desde que mudei para o Rio em 1981, que o Reverendo Guilhermino Cunho se tornou meu amigo mais continuo e fiel, ao mesmo tempo em que sinceramente sempre me dizendo o que pensava, agradasse isso a mim ou não. Dele tenho a gratidão de um amizade que é verdadeira e solidária.

Nos anos 2000 fui amparado por alguns amigos do passado, especialmente pelo Cece, filho do Reverendo Antonio Elias, e o Robin, filho do Reverendo David Glass. Esses são irmãos, mais que amigos.

Então vieram anjos. Rômulo, Alexandre, Luciano, Marcelos, e tantos outros...

De todas as influencias, no entanto, nos últimos 9 anos, nenhuma me foi mais forte do que a da minha mulher, Adriana, que me encontrou sem vontade de mim mesmo, de nada, de coisa alguma, e, com amor, foi me levantando, me segurando, me estimulando, me fazendo crer que nada tinha sido vão, e que a aventura nem começara ainda.

Em meio a tudo isto, especialmente de 1998 para cá, foi minha mãe que, juntamente com a Adriana, mas me puseram contra a parede a fim de que eu visse minha própria vocação; pois, ambas, em amor, nunca me pouparam em nenhuma verdade.

Assim, nesta manhã, expresso diante de Deus minha gratidão por esses aqui, e por milhares de outros, cujo papel tem sido vida para a minha existência.

 

Nele, com grata alegria,

 

Caio

18 de junho de 2009

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